Cariongo está a 79 km da capital, São Luís, situado às margens da BR 135, e assim como Vila Fé em Deus, ambos fazem parte do município de Santa Rita.
Cariongo: tradição, fé e cultura viva
Em Cariongo, a visita começa na acolhedora Casa de Cultura Vovó Pituca, onde o artesanato ganha forma em delicadas peças de crochê e em criações feitas a partir da palmeira do babaçu. Se quiser vivenciar a energia local, basta pedir: os jovens capoeiristas estarão prontos para convidar você a participar de uma roda de Capoeira cheia de ritmo e alegria.
A poucos passos dali está a sede da Associação Comunitária, ponto de encontro dos moradores e palco de diversas reuniões, oficinas e cursos que fortalecem os laços e os saberes do quilombo. Bem perto, o Igarapé Carema encanta com suas águas e histórias místicas que passam de geração em geração.
Outro destaque é a Igreja de São Sebastião, com mais de 100 anos de história, onde todos os anos, em janeiro, a comunidade celebra com devoção o festejo em homenagem ao padroeiro.
A visita à Casa de Farinha é uma verdadeira imersão cultural. É ali que os quilombolas se reúnem para produzir a tradicional farinha d’água, alimento essencial de subsistência local. O visitante pode acompanhar o processo de produção e até provar a saborosa “macaca”, iguaria feita com farinha escaldada.
Ao lado, encontra-se o Museu da Memória Sebastião Cariongo, uma réplica fiel da primeira casa construída no quilombo por seu fundador, Sebastião Cariongo. No interior, é possível ver artefatos típicos das antigas casas de taipa do Maranhão — erguidas com vara e barro —, além de mobílias e objetos que retratam o cotidiano do início do século XX. O espaço também guarda uma revista em quadrinhos que narra a origem do quilombo e outras relíquias que preservam a memória da comunidade.
Seguindo o percurso, chega-se à horta comunitária e ao açude, onde são cultivadas hortaliças, leguminosas e folhagens totalmente livres de agrotóxicos — produtos frescos e saudáveis que podem ser adquiridos pelos visitantes.
Cariongo é um lugar onde a história pulsa em cada detalhe e a cultura se mantém viva pelas mãos de quem a cultiva com orgulho e tradição.
A Rota dos Quilombos te oferece dois museus. O museu Meu Quilombo Minha História, em Canta Galo e o Museu da Memória Sebastião Cariongo, no quilombo Cariongo. Ambos os equipamentos culturais e turísticos, são construções vernaculares, feitas de barro e envaramento de talo de palmeira de babaçu e outros tipos de galhos, e cobertos de palha.
A construção remete às construções antigas típicas do interior do Maranhão, as tradicionais casas de taipa, e ambo os museus foram construídos coletivamente a partir de um conhecimento ancestral sustentável, em perfeita conexão entre o homem e a natureza. Sabe o tempo? Aquele que obriga que você espere o momento certo de cada coisa?
Este tempo determina quando a palha deve ser tirada e aberta, aguardando o secamento para poder cobrir a casa. As varas que são colocadas uma a uma e amarradas com habilidade para esperar o barreamento que vai dar forma à casa. Estes museus são nutridos por tudo isso, por todo este conhecimento. E não só isso. São espaços que guardam memórias, artefatos, histórias que se perpetuaram no tempo e no espaço, e que se mantém em constantes transformação, mas que não perdem sua essência. São verdadeiros guardiões da memória e da identidade local. Cada museu é um espaço de descoberta, onde você encontrará exposições que revelam o cotidiano, as artes e as tradições dos antecessores quilombolas.
Explore artefatos que contam histórias de luta, resistência e cultura. Esses museus oferecem uma visão íntima e rica da vida quilombola, celebrando o legado e as tradições que moldam essas comunidades. Os antigos que trouxerem os conhecimentos, se foram. Porém, o saber, o fazer e o manuseio permanecem, não só nos artefatos, mas na própria construção.