Localizado no município de Anajatuba, o quilombo Queluz emana a resistência dos que resistiram ao “recrutamento” compulsório para as guerras e levantes ocorridos em meados do século 19.
Seu acesso ocorre por estrada de terra e piçarra, sendo uma comunidade que tem em seu histórico exímios artesãos e artesãs, seja produzindo artefatos de madeira, seja confeccionando redes de algodão em teares manuais.
Queluz leva o visitante a uma vivência ao mesmo tempo ancestral e moderna. Em seu Museu da Memória “Raízes do Quilombos” o turista se depara com uma construção de pau a pique, construída coletivamente pelos moradores, com artefatos que remetem aos moradores mais antigos dos quilombos, entre eles, o tear, grande vedete do museu, pois representa um instrumento que foi utilizado por muito tempo por gerações de famílias quilombolas da região. Era pelo tear que eles e elas confeccionavam as redes para dormir e descansar. Em roças e quintais, a plantação de algodão era abundante. Famílias inteiras colhiam o vegetal para secar, fiar e tecer. As redes eram confeccionadas geralmente em grupos, e o resultado era um produto funcional feito a muitas mãos, comungando a energia da coletividade. E esta narrativa resgatada por alguns dos moradores mais antigos pode ser conferida no totem digital que fica em destaque no Museu. É o antigo e o novo agindo em conjunto para preservar a memória da comunidade.

Outra memória, desta vez a gustativa, é a do bolinho de arroz frito. Muito tradicional da comunidade, é uma das iguarias servidas no cafezinho da tarde para os turistas que vivenciam a experiência da Rota dos Quilombos em Queluz. Símbolo da fé e espiritualidade, a capela da comunidade, em homenagem a Santa Luzia também é um local que merecer ser visitado. Com mais de 50 anos de existência, a capela é o palco do principal festejo da comunidade, que ocorre todo mês de dezembro. Para quem preza por alimentos sem agrotóxico, pode fazer um passeio à horta, local onde são plantadas e colhidas folhagens que abastecem a comunidade e que contribuem para a geração de renda local. E as mãos que tecem os fios, também amassam o barro e a água que se transforma em paredes, em abrigos, assim como manuseiam baquetas que dão o tom do toque das Caixas.
Queluz te espera com alegria, devoção, sabor e uma história de resistência e orgulho.